quinta-feira, 7 de outubro de 2010

minha incrível relação com os livros

Neste texto eu pretendo TENTAR explicar a minha estranha relação com os livros, que é mais complexa, eu diria, do que um casamento.
Os livros e eu não somos cúmplices o tempo inteiro, às vezes, lhes peço tempo, como fazem esses casais sem vergonha que vemos por aí. Nem é, muito menos, uma relação pacífica, às vezes jogo os livros pro alto e os abandono por muuuiitooo tempo. Não sou de ler freneticamente, um livro atrás do outro, assim como não bebo água logo depois de beber suco, eu preciso de um tempo a mais (após o fim do suco e após o fim do livro) para degustar melhor, para perceber que frutas foram usadas e que artifícios foram usados pelo autor para provocar tal impacto.
Também não leio todos os livros, muitas vezes eu desisto na metade do texto porque simplesmente não me agradou. E tenho a impressão de que quem lê todos os livros, assim como quem beija todas as bocas, ouve todas as músicas e come todas as comidas, não tem senso crítico para decidir o que é melhor e do que gosta mais.
Também não sou do tipo de pessoa que gosta de livros sempre novinhos, que toma cuidado para o livro não envelhecer. Os livros velhos têm sua magia, podem não ser bonitos, mas para mim são mágicos. se eu fosse um livro iria querer ser um livro velho. Os livros novos não têm vida, não tem graça, não tem cor, eles não têm aquela aparência de quando a gente dorme em cima deles porque não quer parar de ler, mas foi vencido pelo cansaço, nem aqueles amassos típicos de quando a gente volta duas ou três páginas pra entender direito, nem aquela manchinha de molho, de quando a gente lê à mesa porque não tem coragem de solta-lo nem um minuto, ou seja, os livros novos não têm aparência de bons livros. Os livros novos são como as pessoas novas, insipientes e sem experiência.
Não emprestar livros para mim é o oitavo pecado capital. Quando a gente não empresta uma moeda, não empresta uma moeda, quando não empresta uma roupa, não empresta uma roupa, mas quando não empresta um livro, não empresta cultura. E isso é o cúmulo do egoísmo. Eu nunca tive receio de emprestar livros, desde que eles voltem em condições de serem lidos de novo, por outra pessoa.

Bom, acho que terminei de explicar minha estranha relação de amor e ódio com os livros. Amo-os, mas não sinto ciúmes, não são como os maridos: devem ser divididos com todos.

3 comentários:

André Alves disse...

não é uma estranha relação e sim uma perfeita relaçõa rss!!!
Se a maioria das pessoas fossem como vc, não seria obrigatório o voto no Brasil.
Parabéns pelo site
Estou seguindo

André Alves
http://atras-dos-olhos.blogspot.com/

Ítalo Richard disse...

Muito interessante sua relação com os livros, minha relação com eles também é bastante parecida. A única coisa que descordo em parte é em relação aos livros novos, acho eles bacanas porque para que tenham finalidade é preciso ter um primeiro leitor, que irá desvendá-lo, desfrutá-lo, além de que a produção de livros não pode parar, é preciso novas histórias, novos leitores. Enfim, ótimo texto!

abraço,
www.todososouvidos.blogspot.com

Bibiana Terra disse...

"Amo-os, mas não sinto ciúmes, não são como os maridos: devem ser divididos com todos."
Concordo plenamente